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Dia 6: Onsen em Hakone

  • Foto do escritor: Ana
    Ana
  • 26 de abr. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de abr. de 2025

Depois de 5 dias em Tóquio, chegou a altura de mudarmos de cidade. Mandámos as malas para o hotel em Quioto. Sim, é completamente normal por aqui não arrastar as malas pelos transportes públicos. Veem-se muito poucos turistas com bagagem, provavelmente porque os transportes públicos são tão extensos e têm tanta gente. O sistema de transporte de malas é eficiente e barato. Transportam as nossas malas por umas dezenas de euros de um dia para o outro ou até no próprio dia se for preciso.

Para Hakone vai-se de Shinkansen (comboio de alta velocidade) para Okawara e depois de comboio (local) para Hakone. Hakone é uma pequena cidade termal com imensos hotéis, rodeada de montanhas - incluíndo o Monte Fuji - e perto do lago Ashinoko.


O nosso hotel
O nosso hotel

Escolhi um hotel o mais tradicional possível. Queria que tivéssemos uma experiência verdadeiramente japonesa e não queria ir para um hotel moderno, tipo o Marriot Hakone ou semelhante. Não foi fácil, pois os hotéis mesmo bons em Hakone são super caros e, no nosso caso, tudo é vezes 6 e no caso dos hotéis vezes 3 quartos! Mas acho que escolhi bem. O Shiunso é um pequeno hotel (tem só 22 quartos) mas muito boas classificações, tanto em termos de serviço como, mais importante que tudo, o onsen. Não era luxuoso, as zonas comuns são um pouco datadas mas o nosso quarto era espetacular.

Para quem não sabe, o onsen é uma fonte de águas termais e instalações balneares mas, mais que tudo, é uma experiência cultural e terapêutica muito antiga na cultura japonesa. Tomar banho num onsen é um ritual muito importante para os japoneses, que viajam frequentemente para disfrutar de onsens diferentes em locais variados. Há uma etiqueta específica que nós, claro, respeitámos totalmente.

Todos os hóspedes do hotel andam com yukatas (robes) japoneses, e chinelos fornecidos por eles. É a etiqueta, que nós respeitámos. No príncipio foi uma galhofa, mas depois concluímos que, de facto, é muito confortável.


Claro que vestimos logo as nossas yukatas.


Os robes (yukata) com que andávamos no hotel
Os robes (yukata) com que andávamos no hotel

No nosso quarto havia chinelos para usar no hotel, não no quarto, chinelos específicos para ir à copa, chinelos específicos para ir à casa de banho e havia também uns decorados para usar no quarto.




O nosso quarto tinha um onsen privado espetacular, que todos quiseram usar, mas que, no fundo, não era preciso, pois a experiência dos banhos públicos é muito mais interessante. Todos pediram para, de manhã, vir tomar banho ao nosso onsen (a maioria dos quartos só tem sanita e lavatório, é um hotel tradicional, as pessoas vão para tomar banho no onsen, mas ninguém veio. Obviamente.




O nosso hotel tinha onsen privado (que se tem que marcar e pagar extra) e público (grátis), que está dividido entre homens e mulheres. O das mulheres tinha uma cortina laranja e dos homens azul. No dia seguinte estavam trocados. Fomos aos dois, ao privado (misto) fomos eu e o Xanito, o Alex e o Afonso. A Madalena e o Manuel foram a outra hora.


Vou descrever o ritual do onsen público, que, ao contrário do que eu pensava, foi o meu preferido. Há qualquer coisa na irmandade das mulheres, não sei, gostei imenso da experiência. Fui duas vezes, uma sózinha, depois de jantar, já tarde, e uma com a Madalena. Quando fui sozinha, estavam duas senhoras de idade japonesas que penso eram empregadas do hotel. Já era tarde, deviam ir tomar banho depois do trabalho.

Começa-se por deixar os sapatos à entrada, numa antecâmara, e há umas molas com um número para marcar os nossos chinelos. Nota: só tirei as fotos quando as senhoras japonesas se foram embora - obviamente.




Depois há uma sala/vestiário, onde nos despimos completamente e colocamos a nossa roupa num cesto. Não se pode usar fato de banho ou qualquer outra roupa dentro do onsen, nudez é a norma. Não é permitido, pois é considerado impuro e contaminador das águas. Entramos no onsen apenas com uma pequena toalha branca, que é usada para manter alguma privacidade.

Em frente do chuveiro, põe-se o nosso banquinho e enche-se uma bacia de madeira com água. É para a cara - pelo menos foi isso que observei na senhora japonesa. Ela lavava-se com vigor e determinação e demorou imenso tempo. É muito fácil uma pessoa esfregar-se bem por todo o lado pois estamos sentados no tal banquinho. Há vários produtos (sabão, champô e amaciador). Depois de nos lavarmos e enxaguarmos, vamos para a primeira piscina interior.

O pano branco não se pode introduzir na água, tem que se deixar na borda ou dobrar e colocar um cima da cabeça. A água está quentíssima, custa a entrar, parece uma sauna líquida. Depois de um bocado ali, passei para onsen exterior, que é menos quente.



Depois de um bocado, temos o corpo vermelho do calor. Depois dos banhos, volta-se ao duche (sentado) e lavamo-nos de novo. Não sei se isso é suposto mas apetece tomar duche com água mais fria e também nos apetece lavar novamente. Portanto, lavamo-nos intensamente duas vezes. Este é um ritual de purificação e meditação, portanto é suposto estar em silêncio ou falar baixo.

Depois do banho, há zona para secar o cabelo e pentear/maquilhar mas eu limpei-me e voltei para o quarto.

Adorei, de facto, sai-se de lá completamente lavada e com uma sensação de purificação. Um pormenor interessante: o hotel dá um saco que se leva para o onsen que tem a tal toalhinha branca e uma escova de dentes descartável. Não sei o que fiz à escova, mas quando fui ao banho público não estava no saco. E estranhamente era absolutamente necessário, parecia que faltava lavar essa parte do corpo. Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei ao quarto. Lavar os dentes.

O Afonso na sua yukata.

Afonso vestido com a sua yukata
Afonso vestido com a sua yukata

Mais cedo tinhamos ido ao onsen privado, mas isso foi mais galhofa. Não temos problemas com a nudez com os nossos filhos (como disse a Madalena e o Manuel foram mais tarde), mas tinhamos acabado de chegar, estamos todos divertidos com as vestimentas e com a novidade. Cumprimos todas as regras, mesmo não havendo absolutamente ningém para controlar nada, mas não teve o efeito de purificação e serenidade dos banhos publicos onde havia completo silêncio e tranquilidade. Foi como ir a uma piscina interior super quente.

Aqui vão algumas fotos do onsen privado.



O jantar estava incluído no hotel e não havia nada a escolher. O dono do hotel é o chef e servem as refeições nos quartos ou, em caso de grupos, numa sala comum. Foi muito interessante, tinha 11 pratos, uns ótimos, outros super esquisitos, outros que nem percebemos o que era.

O menu:

O menu do jantar
O menu do jantar

Muito interessante, mas mesmo para nós, que adoramos comida japonesa, não era fácil. Só o Afonso adorou tudo.




Sós nós (eu e o Xanito) tinhamos camas normais (já somos velhos para dormir no chão), os miúdos tinham quartos que não tinham nada, só tatamis no chão (os quadrados de chão

que são muito confortáveis). As camas são futons, que estão num armário, que eles vão fazer à noite. A mesa e cadeira é arrumada num canto. O Afonso adorou dormir no chão, o Alex pôs todos os colchões que havia no armário (devem ser para os turistas) e para a Madalena e o Manuel foi OK, nada de muito confortável, mas dormiram bem.

Quarto dos rapazes. As camas estão no armário.
Quarto dos rapazes. As camas estão no armário.

No dia seguinte tivémos a opção de tomar o pequeno almoço na varanda, em vez de no quarto, e também não pudemos escolher nada. Era pequeno almoço 100% japonês. Isso já foi mais difícil... Não havia pão, nem café, nem chá, nem leite, nem queijo nem nada disso. Comer peixe ao pequeno almoço não é fácil (eu não comi peixe nenhum!). O pequeno almoço japonês inclui sempre sopa miso. Tanto o Afonso como a Madalena e o Manuel adoram e têm comido todos os dias.

Pequeno almoço no hotel
Pequeno almoço no hotel
Pequeno almoço no hotel
Pequeno almoço no hotel
Não foi fácil... onde está o café? E as torradas? Peixe?
Não foi fácil... onde está o café? E as torradas? Peixe?

Quando fizemos check-out e chegamos à estação todos tivemos que beber café e comer qualquer coisa normal!



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